sábado, 28 de março de 2009

Raízes do mesmo cipó

Ó mãe,

Faz sentido essa tristeza?

Pois nela, de fato,

Só enxergo poeira e pobreza...


Não fora a senhora mesmo que escolhestes,

Dia desses, ainda,

Germinar tuas sementes

E com carinho preparastes tão bem o terreno para que assim elas pudessem crescer?


Eis então que aqui estamos,

Vigorosos nos tornamos,

Sempre, sempre, te amamos

E com liberdade caminhamos...


Ó mãe,

Que num coração não há maldade,

Guiado sempre pela bondade

De querer de seus filhos apenas a mais intensa felicidade...


Abençoados somos nós,

Filhos, pais e avós,

Raízes do mesmo cipó,

Nesse emaranhado que a vida tece


Façamos, portanto, uma prece

Pra que a senhora de nada careça

Pra que o amor sempre floresça

No jardim que cultivastes para ti mesma


Aqui e lá,

Hoje e sempre...

sexta-feira, 27 de março de 2009

"Desejo de amor próprio"

Há algum tempo desejo participar da vida de uma mulher

Mas sinto que há medo, de ambos os lados,

De expor-se a sua verdadeira nudez,

Tal como ela é.


Tenho passado por alguns destes conflitos nos últimos anos,

Diria até mesmo que há um certo desencanto meu com a vida,

Onde, vez em quando, me cega as saídas,

Deixando-me ao sabor dos ventos, sem direção alguma...


Há muito procurei um alento que me desse sustento

E assim, dando tempo ao tempo,

Fui descobrindo, dia após dia,

Que o que perdia, de fato, era o meu precioso tempo


Sair por aí, sem lenço, sem documento,

Cabe perfeitamente pra quem se perdeu no amor

E em primeira instância,

No seu amor próprio.


Creio eu já ter passado por isso algumas vezes

Duras vezes em que me deixei de lado,

Desacreditando no meu taco,

Me tornando bandido e mocinho da minha própria história.


Porém, com convicção, mais do que nunca hoje é dia de glória!

Pois sinto que estou vivendo menos de memória,

E mais no aqui e agora,

De puro coração...


Assim sendo, nessa hora,

Por maior que seja o tombo,

O medo não mais me assusta


Faço o que me dá na telha

E assim vou levando a vida

Ainda que sem eira, nem beira

Sem deixá-la, no entanto, me levar


E talvez, o mais importante de tudo isso,

Seja novamente ter aflorado em mim mesmo,

Aquele puro, singelo, mas imprescindível desejo:

O desejo de amor próprio.

quinta-feira, 26 de março de 2009

"Só se for já!"

Espero o dia passar enquanto o tempo o acompanha

Lá fora faz sol, mas aqui dentro quase nada

Planejo os meus próximos passos,

Mas me ausento do aqui e agora


Sinto sono, deito e durmo

Nada acontece

Concluo o que já parecia óbvio,

Meu cansaço de fato não é físico


Tenho medo da vida,

E como uma criança perdida em uma estação de trem,

Não sei se parto ou se fico,

Se choro ou se suplico


Por que e pra quê este conflito?

Por que e pra quê esta cobrança?

Por que e pra quê este castigo?

Por que e pra quê esta inconstância?


Preciso me libertar de mim mesmo,

Dos fantasmas que crio a todo o momento,

Dos meus próprios julgamentos

Que me impedem de tentar devido ao receio de errar


Mas o que gera o acerto senão o fracasso?

E o que traz confiança senão o aprendizado?

O que gera a possibilidade senão a disponibilidade?

E o que dá energia senão a força de vontade?


“Penso com os meus botões...”


Se já tenho as respostas para as perguntas

Que compreendem todo o meu ser

Por que não então parar de pensar e começar logo a fazer?

...

Por incrível que pareça,

São os próprios fantasmas em minha cabeça

Que estão dizendo para mim mesmo,

Em alto e bom tom:


- "Só se for já!"

quarta-feira, 25 de março de 2009

A qualquer tempo e lugar

De repente uma música tocou

E vinda de dentro, como um pássaro pousou em meu peito

Alimentando-se de tudo que é luz e cor, prazer e dor,

Sofrimento e amor.


Ouvi dizer que amar alguém

É o mesmo que manter um pássaro livre, solto,

Desimpedido de partir a qualquer tempo, pra qualquer lugar.


Mas, e se este mesmo pássaro amado e respeitado for?

E se de agrado e bondade sempre se cercar?

Ainda que pra bem longe possa voar,

Para um porto seguro ele há de voltar.


Pois sentirás uma duradoura e crescente vontade de se abrigar,

E de carinho e calor se agraciar,

E então, em seu ninho, raízes poderá cultivar.


Sendo assim,

Sua entrega será senão a sua única verdade,

Legítimo caminho para a liberdade,

Traçado com confiança e cumplicidade mútuas.


Aliança de almas com a mais pura integridade

E uma pequena dosagem de ingenuidade,

A qualquer tempo e lugar.